segunda-feira, 31 de julho de 2006

Bonner diz que os políticos têm a obrigação moral de encontrar soluções para o país

Apresentador do JN espera que os candidatos pautem seus programas de governo a partir do diagnóstico mostrado pelas reportagens

Milhões de telespectadores em todo o país acompanharam o programa Jornal Nacional, da Rede Globo, transmitido ao vivo de São Miguel das Missões na última segunda-feira, 31. A iniciativa faz parte do projeto Caravana do JN que está fazendo uma radiografia das cinco regiões do Brasil. O apresentador e editor-chefe do JN, William Bonner, em entrevista exclusiva, faz um balanço do primeiro programa e revela a impressão que leva da região Sul.

– Após a estréia do projeto Caravana do JN, que balanço você faz do programa realizado em São Miguel das Missões?
Bonner – Considero positiva a estréia, pois a ousadia do programa foi premiada com um produto que ofereceu aos brasileiros um retrato mais preciso da região Sul, mostrando as potencialidades e problemas. Queremos, através desse trabalho, pautar o caderninho dos candidatos, não só em nível federal, mas também estadual, revelando a verdadeira face de nosso país. Acredito que no momento em que os políticos se confrontarem com a realidade, passam a ter a obrigação moral de indicar caminhos para superar esses desafios.
– Como jornalista você conheceu diversos países. O que mais lhe chamou a atenção na região das Missões?
Bonner – Sem dúvida nenhuma, a riqueza do material histórico hoje protegido, o que nos enche de orgulho. Infelizmente, mesmo que o Brasil tenha uma história recente, seu acervo em muitas situações é mal preservado, ao contrário dos países europeus. Ao chegar às Missões fiquei impressionado com a beleza arquitetônica das Ruínas de São Miguel. Outro aspecto fundamental é que as pessoas passaram a cuidar desse patrimônio histórico, cujas marcas de vandalismo feitas em outras épocas ainda são visíveis. As Missões é uma região especial, onde o visitante poderá conhecer um importante fragmento da história do Brasil e das Américas.
– Geralmente os governantes desenvolvem as mesmas políticas públicas para regiões diferentes. De que forma esse diagnóstico vai ser importante para orientar os futuros governadores e o próximo presidente do país?
Bonner - Acredito que é justamente a exposição dessas peculiaridades entre as regiões que vai servir de parâmetro para a promoção de políticas públicas mais eficazes, visando superar esses problemas. Mesmo nos próprios estados existem necessidades diferentes em cada microrregião. Nós jornalistas estaremos evidenciando esses aspectos, mas cabe aos gestores públicos tomarem as decisões para encarar esse desafio.
– Qual a impressão que você leva da região Sul?
Bonner – O Sul é uma região belíssima de imensuráveis riquezas e potencialidades, mas vem enfrentando problemas circunstanciais principalmente na área da agricultura, nas indústrias do setor coureiro-calçadista e de máquinas e implementos. Mesmo assim, as reportagens exibidas durante o programa revelam que os sulistas já estão encontrando caminhos. Além disso, a região, em muitos aspectos, serve de modelo a outras partes do país, como, por exemplo, o elevado índice de alfabetização e de desenvolvimento humano, semelhante ao de muitos países europeus.
- A Caravana do JN será desenvolvida durante dois meses. Há previsão de um novo projeto para 2006?
Bonner – Em 2006 tivemos a Copa do Mundo e em breve haverá eleições. Esses dois eventos mais a Caravana do JN inviabilizam um novo projeto. O atual, por exemplo, começou a ser planejado em setembro de 2005 e a Copa do Mundo, há quatros anos. Na verdade, esperamos o pleno êxito da Caravana, que vai projetar os anseios e as reais necessidades da população brasileira, retratando suas dificuldades, assim como os modelos positivos dos diferentes “brasis” espalhados pelos mais singulares recantos do território nacional.